segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Entre liberdade e libertinagem



Eu não sou careta.


Sério, nunca fui, e vocês podem perguntar a qualquer um que me conheça bem: eu aceito as escolhas dos outro, apoio, suporto ( de dar suporte), encorajo e até tento entender, por menos compreensível que as escolhas dos outros ás vezes pareçam pra gente. Mas eu preciso dizer que eu não entendo a “Parada Gay”. Antes que você me apedrejem, por favor, continuem lendo meus motivos: acho a ideia de um dia para lutar pelos seus direitos muito digna, o que não concordo é a forma como a maioria dos gays acabam por usar esse dia para justificar preconceitos ou corroborar com as ideias mais preconcebidas do mundo. Explico: gays trabalham, amam e pagam impostos, são seres humanos como quaisquer outros, porém, para o observador incauto que queira conhecer a “categoria” por apenas aquele dia do ano, tudo o que será possível perceber é o deboche, a afronta, a promiscuidade, a bebedeira. Claro que ninguém acha que todos os heterossexuais são galinhas ou vivem de oba oba se assistirem a uma micareta, não estou homogeneizando todo mundo. O que acontece é que a parada gay, além de ser um dia para se orgulhar de ser quem você é, deveria ser um momento político, de demonstrar a igualdade e exigir exatamente os mesmo direitos, e não mostrar uma faceta que não representa toda a classe, e que acaba por denegrir e, a meu ver, invalidar grande parte do movimento. Eu tenho amigos ótimos, inteligentes, bem sucedidos e gays que concordam comigo. Nas palavras de um deles: “A parada gay é o único fia do ano em que eu sinto vergonha de ser homossexual”. Eu, Mayara, que não tenho nada com isso, percebo que na parada gay há uma retrocesso claro: com a confusão entre liberdade e libertinagem, quem perde é aquele que, como eu, acredita em homoafetividade, e não em homossexualidade. Queria terminar esse post, lembrando quem passar por aqui que estar com várias pessoas, beijar muitos ou “ferver” como gostam de colocar, nem sempre representa liberdade: é mais livre aquele que consegue estar com a única pessoas que te entende e aceita exatamente como é – gay, hetero, bi, tri, pan ou assexual.

6 comentários:

patty disse...

Tb não entendo. Talvez seja para chocar? Eu entendo gays, tipo, são pessoas normais e pessoas normais saem no carnaval. E eu tb não entendo carnaval. Então talvez o problema seja conosco, Mayara, e não com os outros. Bjs.

Nany disse...

Concordo em gênero, número e grau, May!

Lady Murphy disse...

Concordo com você. Na oportunidade que têm de atrair para si os holofotes e mostrar para as pessoas a sua causa, pedir aceitação, eles (não todos, evidente) acabam por corroborar com a imagem caricata dos gays que aparece na mídia. Mesmo sem querer.

E a população, acaba enxergando essa parcela da sociedade como promíscua. O que é uma pena. Pois os gays são pessoas normais, geralmente bem discretas, ao contrário da imagem que as pessoas carregam.

Ana Násily disse...

Nossa, que texto maravilhoso! apoio em numero e grau!

Suzala Moura disse...

May, concordo com tudo...tb não entendo isso...seu texto está excelente, como sempre! beijos

Adelaide Araçai disse...

Mayara, eu participei em várias e acho que o objetivo não é expor de forma erronea, mas tratar de forma alegre e divertida algo que é de cada um. A principio creio que a sexualidade pertence a cada um, nunca deveriamos julgar. E a idéia (minha) quando vou e levo marido e flha é para mostrar com alegria que cada um pode fazer a sua escolha durante a vida toda, de forma livre sem a austeridade que alguns querem impor.

Como alguns pregam que o casal homo poder viver junto desde que não se abracem ou beijem em publico. Engraçado que Se forem duas mulheres pode, dois homens não.

"Com alegria e brincadeira se fala de coisa séria."

Tente observar no dia a dia, a maioria das pessoas fala em tom de brincadeira aquilo que se passa na alma. E se alguém se ofende, logo emenda: Eu tava brincando.

Por isso eu não só apoio, como participo, amo e creio que se todos realmente não tivessemos o preconceito vincado n'alma, nem precisariamos desta mobilização.

Faze-la de forma silenciosa ou como passeta política além de não levar muitos para participar (eu por exemplo fui a primeira vez pela alegria do movimento)não chamaria a atenção da mídia e das pessoas em geral e as coisas no mundo só funcionam quando envolve grandes massas.

Esse é o meu pensamento pessoal, perdão pela extensão.

Muita luz e paz
Abraços