sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Resoluções de ano novo

Eu parei de fazer resoluções de ano novo faz algum tempo, pois acho a vida muito inesperada, e sempre fico frustrada quando meus planos não dão certo. A verdade é que as coisas acontecem como devem, e não como a gente espera, mas, inspiranda pela Ana Cristina resolvi fazer projetos para o ano novo, que simbolizem objetivos da minha vida nesse momento, assim posso fazer um balanço, e perceber o que alcancei, pois mesmo que nã seja tudo, tenha fé de que vou conseguir, com persistência e paciência, alcançar alguns objetivos dos que me propus. Vamos a lista, então: vou setorizá-la para ficar mais fácil de ir lembrando!

Na casinha: 
- Gramar o terreno
- Cobrir a garagem
- Fazer uma varanda
- Trocar o sofá
-Instalar o toldo na lavanderia
- Planejar os móveis do escritório/quarto de visitas

Em mim mesma:
- Freqüentar a academia (porque todo ano coloco entrar, entro e saio rsrs)
- Perder mais 10 quilos
- Voltar para o espanhol
- Exercitar a paciência e o silêncio
- Me voluntariar para alguma atividade social
- Estudar para  o mestrado

Livros-meta:
1- North and South - Elizabeth Gaskell
2- A festa e outros contos - Katherine Mansfield
3- A moradora de Wildfell Hall - Anne Brontë
4- Doze dias: crônica de uma viagem pela montanha - Vita Sackville-West
5- Mrs. Dalloway - Virginia Woolf
6- Orlando - Virginia Woolf
7- A insustentável leveza do ser - Milan Kundera
8- A época da inocência - Edith Wharton
9- O pecado de Lady Isabel - Mrs. Henry Wood
10- Diários e Cartas - Katherine Mansfield

Séries-meta:
1-Downton Abbey
2-Jane Eyre
3-Orgulho e Preconceito
4-Razão e Sensibilidade
5-Cranford
6-All passion spent
7-The Edwardians
8- Retrato de um casamento
9-To the house light
10-Lost in Austen
11-Tess of Ubervilles
12-Miss Austen Regrets
13-Sparkhouse
14-Mansfield Park
15-The Northranger Abbey

Espero que 2012 seja um ano maravilhoso para todo mundo, que todos nós consigamos realizar nosso objetivos, e que essa ilusão de mudança nos dê o poder de mudar-nos e mudar situações, sentimentos ou coisas que não nos fizeram bem 2011. Uma virada cheia de luz e amor para todo mundo que passar por aqui!

Post atualizado em 28/12/2012, para riscar os objetivos já alcançados. Faltaram muitos, mas de maneira geral, creio  que foi um ano  bem de acordo com o que eu pretendia!

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

I Desafio Literário - Jane Eyre


 
 Eu gosto de Jane Eyre. Ela é dramática, impulsiva, geniosa e não sabe o seu lugar. Não saber o seu lugar é o que faz com que ela cresça: sem se colocar limites como ser órfã e depender da tia, não se cala diante das injustiças de que é vítima; sem perceber a distância entre ela e o Sr. Rochester, conquista o patrão e casa-se com ele. Tenho até uma teoria, válida para os dias de hoje, de que ser cara de pau ou não ter senso de rídiculo faz alcançar mais objetivos do que a inteligência em si, mas isso é assunto para outra hora.Ler Jane Eyre é uma experiência a parte: faz chorar, tem romance e até lances de história de terror. Se o final é um pouco piegas – eles se casam, têm filhos, ela herda uma fortuna e ele aos poucos volta a enxergar, a história em si faz sucesso exatamente porque deixa entrever esse final feliz: é reconfortante saber que depois de passar fome, frio, e carências sentimentais, a personagem vai finalmente encontrar o que procurava, amar e ser amada. Mesmo que a premissa se aproxima da de “A preceptora”, visto que ambas as figuras centrais são governantas, a diferença essencial a meu ver é que Jane Eyre estava preparada para professar, e por isso não é esse o enfoque do livro. Isso talvez se deva à própria experiência de Charlotte, ao passar um período maior de sua educação fora de casa, ao contrário de suas irmãs.  Enfim, eu entendo porque o livro fez mais sucesso que o dê sua irmã: ele tem mais vida, é mais fantástico e menos autobiográfico. Para quem se animou, recomendo também a série de 2006  da BBC, que eu estou assistindo. Achei que eles passaram um pouco por cima da infância da Jane, e portanto não ficou muito claro como ela se tornou quem é, coisas que fica explícita no livro, mas em geral, é uma boa produção, bastante fidedigna, utilizando inclusive diálogos presentes no livro. Além disso, como era de se prever, tanto ela como o Sr. Rochester são lindos, ao contrário de no livro.
Jane Eyre BBC (2006) Episódio1   Episódio 2   Episódio 3 Episódio 4

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

I Desafio Literário - 70% completo

Quando eu comprei o livro Miss Brontë, simplesmente não estava pronta para me deparar com as mudanças que ele faria na minha vida: o livro me lembrou do meu gosto por literatura inglesa de época, e acabou por me levar a me reapaixonar pelo assunto, motivo pelo qual vocês devem ver várias dicas e sugestões por aqui nos próximos tempos. A essa altura, e com prazo de folga, já li "A preceptora" e "Jane Eyre", e comecei ontem a reler "O morro dos ventos uivantes", até que estou rápida, não? Vou falar um pouquinho do que achei para vocês do que já li, espero que gostem.

A preceptora - Anne Brontë
Anne, a caçula das três irmãs Brontë, sempre foi considerada pelos críticos como a mais fraca escritora das três. Em "A preceptora", ou "Agnes Grey", o título original, podemos observar reflexos da própria experiência dela ensinando,  já que esta trabalhou como governanta em casa das famílias Robinson, em Thorp Green e  Ingham Blake, em Mirfield, vivendo com saudades de casa e esperando pelas férias de verão -tal como a heroína de seu livro.Além disso, especula-se que o primeiro emprego de Anne foi quase totalmente reproduzido em seu primeiro livro, pois foi uma experiência muito traumática. O realidade, infelizmente, não colaborou para o fim levemente agradável do livro: Anne morreu, solteira, tuberculosa e deprimida aos 29 anos, sem se casar com o seu "Edward Weston", ou na realidade William Weightman, como alguns especulam. Depois de ler "A preceptora" eu entendo porque o título de mais fraca a Anne, e o aparente ostracismo em que o livro caiu na época de seu lançamento: apesar de não achar justo compará-la às suas irmãs - cada uma uma pessoa, um universo - o livro é pouco mais que um romance aguado e pouco profrundo e, para mim especialmente, só serviu para refletir sobre o papel da educação e o futuro desta na realidade, como eu escrevi por aqui. De qualquer forma, estou animada para ler o outro livro publicado por Anne, "A Inquilina de Wildfell Hall", um sucesso imediato quando foi publicado e que trata de uma mulher que não aceita  comportamento imoral de seu marido, e por isso foge com seu filho buscando uma vida melhor. Creio que a história seja  mais propícia a discutir temas como o papel da mulher na sociedade inglesa no período. Quem sabe não fica para o próximo desafio?! :)





Tal como vocês podem ver, provavelmente nos próximos meses seremos invadidas Jane Austen, Kate Chopin, Elizabeth Gaskell, Katherine Mansfield,Mary Shelley, CharlotteLennox,Edith Wharton e, claro, as irmãs Brontë seja em livros, séries ou filmes!

sábado, 17 de dezembro de 2011

Férias

Bom dia meninas, espero que todo mundo esteja tão bem como eu!
Estou de férias desde quarta-feira, e tirei o pijama em raríssimas ocasiões, uma delas foi para ir ver a praça iluminada ontem a noite, então atualizei as fotos do post sobre o natal de Poços, espero que vocês gostem, já que ficou menos profissional e mais aconchegante, na minha opinião.
Graças a Deus só volto a trabalhar no dia 02 de janeiro, estava realmente precisando de um tempo: acredito que quando nossa convivência com alguém dura muito, por mais que a pessoa seja legal, acabamos nos desgastando, e os pequenos defeitos começam a nos incomodar. Nesse caso, nada como 20 dias de separação para deixar o mau humor de lado né?! 
Eu comentei com vocês que marido e eu não tivemos lua-de-mel: a época do casamento coincidiu com provas e outros milhões de coisas nas escolas onde ele trabalha, então tivemos que adiar a viagem. Estamos indo então viajar. Vamos passar uma semaninha na praia, nada de nordeste nem nenhum lugar muito phyno, vamos para Caraguatatuba-SP e provavelmente enfrentaremos muita chuva, mas creio que a mudança de ares nos fará bem: passar um tempo só nós dois, sem compromissos ou pressa, poder andar descalços na areia, falar besteira e ficar juntos. Acho que todos precisamos disso de vez em quando. 
Volto então na semana que vem para contar como foi, boa semana para todo mundo que passar por aqui, e rezem pra fazer Sol por mim, por favor!

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Christmas is all around


Árvore de Natal da praça Pedro Sanches
A casa do Papai Noel, Parque Pedro Afonso Junqueira
Eu adoro Natal. Não sou daquelas que se indigna com o consumismo ou acha hipocrisia as demonstrações de boa vontade que se espalham pelo no mundo nessa época. Pelo contrário, eu adoro presentear ( embora geralmente só caiba no meu orçamento as famosas "lembrancinhas") a todos os amigos e amores, e acredito que a gentileza é sempre positiva, ainda que perene.
Pelo que eu andei olhando nos blogs amigos, todo mundo já está em clima natalino, com enfeites e árvores, cada um mais lindo que o outro. Como a minha arvorezinha ainda não está lá muito pronta, vim mostrar um pouquinho da minha cidade no Natal.
Anjo na praça Pedro Sanches
A decoração esse ano ficou toda por conta das luzes, achei incrível.
Poços de Caldas vem se adaptando à ideia de turismo natalino nos últimos anos, com o evento conhecido como "Natal Encantado", cheio de luzes e cores. Eu amo passear a noite pela cidade e ver tudo tão iluminado e revestido de mágica. Espero que vocês também gostem.
O título se refere a um dos filmes mais bonitinhos e delicados que eu já vi sobre Natal, e que recomendo para todo mundo," Simplesmente amor".
Rua São Paulo. Nos últimos anos, a de decoração mais bonita na minha opinião.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Decoração natalina

Boa tarde meninas! Hoje vim mostrar para vocês a decoração de natal da minha casinha. Marido não gosta muito dessa época, mas como eu amo, fiz questão de ter nem que fosse uma arvorezinha. Não estranhem a simplicidade, mas como é nossa primeira árvore e a grana tava curta, ficou básica mesmo, mas eu amei! 

Eu sempre adorei ver a árvore de Natal cheia de presentes.É um dos meus maiores prazeres saber que vou poder dar uma lembrancinha a todas as pessoas que fazem parte da minha vida e a tornam mais feliz! 
 Como a minha porta é de vidro, não pude colocar uma guirlanda ( alguém  tem alguma ideia genial a respeito?) mas achei esse boneco de neve nas americanas, próprio para a maçaneta, e me apaixonei!

Hoje é dia de ir na casa da minha mãe para montar a árvore dela com meus irmãos mais novos: é quase uma tradição familiar e eu adoro, pois não tenho muito tempo para conviver hoje em dia, e é bom passar umas horas com eles falando bobagem. Depois mostro para vocês!

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Cidadezinha


 A velha cidade dormitava entre montanhas. Seus habitantes, divididos entre a nostalgia e a desesperança, vagavam pelas ruazinhas com olhos vazios e ombros caídos. Os mais jovens buscando oportunidades melhores se mudavam assim que percebiam que o marasmo não era passageiro: a ferrovia, antes sinônimo de progresso e desenvolvimento e agora tomada por mato e ferrugem, atestava a passagem do tempo e sua irremediabilidade. Era, sobretudo, uma cidade de velhos e crianças, e os jovens que não conseguiam fugir, estavam fadados a envelhecer rápido, senão pelo acréscimo de rugas aos rostos, então pela perda do brilhos dos olhos e o andar lento que adquiriam por voltas dos 20 e poucos. Pelas manhãs, todos se encontravam nas janelas, debruçados sobre seus cotovelos e as maravilhas passadas:
-Tanto potencial! O presidente inaugurando a estrada de ferro, as damas com vestidos rendados , as crianças em seus babados e os cavaleiros garbosos com seus chapéus e ternos engomados!
Um sentimento de inquietude, mesclado a incredulidade dominava a maioria dos que paravam para pensar: o que fora feito de tanto futuro, tantos sonhos? Como era possível que uma cidade morresse? Nas pequenas vendas com seus balcões empoeirados os menos – ou mais?- corajosos afogavam suas angústias em cachaça, e por isso era ora execrados, ora invejados pelos que persistiam em viver a situação sem o embotamento da mente.
Aos domingos, depois da missa, todos davam voltas na praça central, elogiando a calma e tranquilidade que só encontrariam em uma cidade como aquela, convencendo-se, e aos outros, que o silêncio era maior vantagem do que crescer. E quem gostaria de crescer, com tanta poluição e maldade no resto do mundo? Esmagados por uma modernidade da qual não podiam fazer parte, agiam qual avestruzes, evitando ver a luz do sol para não desejarem seu brilho.
Os que absolutamente exaustos desistiam e saíam da cidade eram tratados como traidores, responsáveis diretos pela ruína do lugar, e, ao mesmo tempo aguardados com ansiedade, pois só assim o mundo exterior penetrava naquele lugar esquecido. A verdade, no entanto, era que quem saía não mais voltava: bombardeados com a velocidade do mundo moderno passavam a duvidar de sua existência anterior, rindo dos hábitos arcaicos e se esforçando para mudar seus antigos costumes e se adaptar a sua nova realidade.
Eis que um dia um deles voltou: conhecido como João Foguete, havia desde a infância sonhado em fugir daquele lugar, mas uma vez na cidade grande, pôs-se a rememorar a vida na sua vila e dedicou-se a descobrir uma maneira de modernizar a cidade. De tanto pensar em ferrovias imaginárias, minerações exauridas e lavouras ressecadas, Foguete finalmente percebeu que a única coisa que a cidade tinha a vender era a si mesma: em mundo em constantes modificações, onde tudo acontecia na velocidade da luz e as pessoas não tinham tempo de se conhecer, com certeza muitos pagariam pela tranquila ilusão de viver em outros tempos, mais calmos e com valores imutáveis.
Com a dose certa de publicidade, combinada a um grande poder persuasivo, João convenceu a cidade de seus planos turísticos, e as pessoas da cidade grande de que eles precisavam de algo diferente de vez em quando, para os lembrar de quem eles eram. Hoje em dia, as senhoras continuam a se debruçar nas janelas, e os jovens ainda passeiam na praça aos domingos, só que agora flertando e rindo, mostrando a todos os “estrangeiros” quão felizes eles são na simplicidade em que vivem, afastados da vida moderna.
Os que se atrevem, porém, a mudar para a cidadezinha logo se sentem ludibriados: por trás das matronas na janelas, televisões de lcd e notebooks se escondem, e passados os períodos de férias e finais de semana movimentados, a moças trigueiras trocam seus vestidos rodados por calças jeans e dançam ao som do funk, que infesta a praça central. Alguns velhos moradores ainda reclamam a calma perdida, porém a a maioria, alucinada com a modernidade recente, esqueceu-se de pensar, e agradece todos os dias ao prefeito João Foguete.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Sobre a minha incapacidade de ensinar



Desde que eu comecei a ler “A preceptora” da Annde Brontë estou com vontade vir aqui falar de educação. Não sei o que o pessoal que passa por aqui pensa do assunto, mas como minha graduação é na área, e eu trabalho hoje em uma universidade, creio que possa falar um pouquinho assunto sem falar muita bobagem. Eu sou do tipo que acredita realmente que ensinar é uma profissão de fé, e que é exige vocação. Que os salários são baixos, ninguém discorda, porém o que eu acho que exige mais da pessoas que se propõe a ensinar é fé na humanidade. Eu dei aulas por exatos dois meses, para nunca mais se tiver escolha, o que só me faz ter ainda mais respeito por aqueles que não se deixam abater e dão a cara a tapa todos os dias, tentando ensinar o impossível. 
Apesar de querer acreditar no maravilhoso, muitas vezes eu me pego duvidando do futuro: a internet, as mudança de valores, a inversão de prioridades e mil outros fatores estão tornando a nova geração alienada e estúpida. Os programas de televisão são cada vez mais fáceis e comerciais, sob pena de não renderem por falta de quem os entenda, o uso “errado” da língua portuguesa passa a ser correto, simplesmente porque é muito difícil ensinar a norma culta, então, aceitemos que falem errado, o sonho dos pequenos, que antes era ser médico ou astronauta, hoje é jogar futebol: dinheiro fácil, mulheres e idolatria. 
De vez em quando, uma luz aparece: eu vejo como o marido fica feliz quando tem um aluno bom e dedicado, porém, vejo também que isso é cada vez mais raro. Os jovens de hoje em dia parecem pensar que estudar é perda de tempo, pois todas as respostas parecem estar a 3 segundos de distância, ali no google. Às vezes penso que estão mesmo – mas que eles estão se tornando tão ignorantes, que não serão capazes de entender as perguntas.
A Agnes Grey fala logo no começo do livro que ela não deveria ter problemas para cuidar de crianças, pois ela própria ainda sabia o que estas valorizavam, e poderia sempre se colocar em seu lugar para tomar decisões. Acho que, no final, a culpa sobre eu não poder ensinar é só minha: se ao ensinar você precisa se achegar ao outro, se aproximar de suas experiências, essa é uma capacidade que nunca tive: sou péssima para demonstrar intimidade, e como sempre senti e pensei diferente da maioria, não fui próxima nem dos meus próprios colegas estudantes, sempre enfiada com a cara em algum livro.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

A magia nossa de cada dia

  
  Vivemos, cada vez mais, em um mundo racional, onde as ideias e pessoas são mais pensadas do que sentidas. Eu sempre fui coração e me recuso a ver o mundo de maneira tão objetiva: o Sol não pode ser só a estrela principal do sistema do qual fazemos parte e ter como temperatura do núcleo de ~15,7 × 106 K. Para mim, o Sol é brincadeira em dia que o céu está azul, é poesia quando aparece em dia de chuva e nos traz cores, é deitar na grama, pensar na vida e adivinhar formas em nuvens. Mais do que ser racional, eu acredito que nós precisamos cada vez mais de magia no mundo: saber fatos não nos faz mais felizes, só tem nos tornado mais frios e desligados. 
  Percebo  a busca da magia do mundo, a fuga das leis da física e da química cada vez mais na literatura: se olharmos os livros mais vendidos ou os últimos lançamentos das grande editoras, perceberemos que em grande parte encontraremos livros sobre o fantástico, o sobrenatural. 
  O ser humano têm precisado acreditar que existe algo que não vê: se o mundo está cada vez mais explicado, buscamos crer em coisas que não são tangíveis, pois precisamos de coisas lindas e subjetivas para nos sustentar no trabalho cotidiano, no fazer as compras ou limpar a casa. Fadas, anjos, vampiros estarem na moda são um pedido de socorro de uma geração que sabe demais, mas precisa acreditar e sentir. 
  Eu, particularmente, adoro o sobrenatural, desde Marion Zimmer Bradley e a sua versão da corte de Arthur que exalta as mulheres e o que a gente tem de mágico, à Stephenie Meyer, com seus vampiros bonzinhos e pessoas que ainda acreditam em um mundo oculto de nossos olhos. 
  O nosso mundo é naturalmente fantástico, se pensarmos em como todas as coisas se encaixam perfeitamente, porém, saber explicar o porque dessa mágica, fez com que precisássemos de algo além, que os romances e aventuras de fantasia nos dão, nos permitindo suspirar por seres perfeitos como os anjos, ou romancear sobre lobos sarados que se apaixonam para sempre.

P.s. Falando em magia, a Paula do "Bookworms" está com uma promoção fantástica: ela vai sortear o livro "Julieta Imortal", com uma trama que promete ser incrível. Quem quiser participar, é só clicar aqui.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

I Desafio de leitura


 Eu sempre gostei de ler. Uma das primeiras lembranças que eu tenho é a de ficar deitada de bruços no sofá de couro marrom da minha antiga casa, com meus livros coloridos, as mãos segurando o queixo e as pernas para o ar. Desde os três anos a minha vida é assim: de bula de remédio a propagandas em muros, da Bíblia a livros infantis, passando por embalagens de shampoo no banheiro e trechos conhecidos, tantas vezes repetidos que foram decorados.
Como ávida leitora, posso dizer que existem autores, e história que nos marcam, e fazem com que vivamos as situações, e, muitas vezes, transformamos os personagens em companheiros, de tal forma, que dói quando nos separamos: as páginas têm sempre um fim. Foi assim quando eu acabei de ler Pássaros Feridos pela primeira vez, e assim também foi na semana passada, quando acabei de ler “O Reencontro” da Rosamunde Pilcher. Mas não quero falar desse livro agora.
Há uns dois meses, eu li “Miss Brontë” da Juliet Gael, sobre a vida das irmãs Brontë, o que me fez lembrar como eu adoro romance de costumes. Eu sempre amei a Jane Austen, “Orgulho e Preconceito” deve ser meu livro de cabeceira desde menina, mas nunca havia parado para pensar na proximidade dos romances dessas autoras, que apesar de não serem exatamente contemporâneas, desvendar as nuances e tramas da sociedade na qual estavam inseridas.
Fato é que eu sou péssima para lembrar de nomes e detalhes: posso amar uma banda, sem saber o nome de todos os álbuns ( isso deixa o marido louco) ou ver sempre filmes com uma mesma atriz, e não fazer ideia do nome dela. Assim, eu conhecer a obra de determinado escrito, não significa que eu conheça a biografia, e “Miss Brontë” foi um tapa na minha cara: conhecer a história de vida de Charlotte, Anne e Emily, assim como suas personalidades, fez com que eu tivesse outra perspectiva sobre o seus livros. Eu sei, eu sei que “Miss Brontë” é um romance, porém, tudo indica que a autora se manteve o máximo possível sobre os fatos das vidas as três, de forma que isso não invalida a minha proposta: ler um livro de cada uma, tentando encontrar a autora por trás da obra.
Para começar a jornada, passeando no sebo essa semana, comprei “A preceptora” da Anne Brontë ( o título original é Agnes Grey, não sei porque essa tradução esdrúxula), “Jane Eyre” da Charlotte Brontë e vou reler “O morro dos ventos uivantes” da Emily Brontë, com o qual tenho uma história de amor e ódio: a primeira vez que li, há uns dez anos, amei o livro, quase ficou na cabeceira, mas quando tentei ler de novo no começo do ano, antipatizei com todos os personagens e não consegui ir adiante.
Enfim, espero que vocês gostem da ideia, quem sabe alguém não adere ao desafio! :)

Update: Só para resumir o desafio, a ideia é ler os três livros, "A Preceptora" (Agnes Grey);  "Jane Eyre" e  "O Morro dos Ventos Uivantes" até o dia 29/02/2012. Se alguém topar, é só deixar um comentário avisando. Até agora, encaramos o desafio eu e a Patty, do Tanta Coisa!, que falou sobre o desafio aqui.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

O Retorno

Bom dia meninas, e me desculpem pelo sumiço! Já faz um bom tempo que eu não posto e nem passo na "casa" de vocês, mas vou tentar colocar tudo em dia. Casar toma muito tempo, mais até do que eu pensei! Tem milhares de detalhes, desde escolher o bolo ao cabelo, cansa! Agora que esse período tumultuado passou, namorido agora já é marido e está trabalhando essa semana, de forma que não teremos lua de mel ( o dó!), vim aqui mostrar para vocês um pouquinho como foi o meu dia especial. E juro, parece clichê, mas eu estava me sentindo uma verdadeira princesa rsrsrs Vamos acompanhar?

A mesa do bolo
Eu empolguei na hora de jogar o bouquet e quase causei uma concussão ;)
 
O bolo e os noivinhos, uma das coisas que eu mais gostei.
A minha grande, barulhenta e amada família. Agora vocês sabem como todo o hospício é :)
P.s: Não postei isso antes porque o marido já começou o casamento me sacaneando: disse que era "rehab" e não pagou a internet, até cortarem!

domingo, 23 de outubro de 2011

O carteiro me faz feliz!

Bom dia! Espero que na casa de vocês esteja o mesmo frio e a mesma neblina que cobre Poços de Caldas hoje, nunca tinha visto um final de outubro tão agradável por essas bandas! Hoje vim contar para vocês sobre minha relação com o carteiro: sem meias palavras, eu o amo! Numa era digital de emails e blogs, vocês não imaginam a minha emoção quando vejo o pobre subindo o morro de amarelo e com a bolsa pesada. Dá até frio na barriga pra saber se ele vai parar por aqui: uma cartinha especial, uma encomenda muito aguardada ou uma delicadeza inesperada. Não é que o carteiro ontem trouxe duas dessas coisas? E eu vim aqui hoje só para mostrar para vocês!
A Patty nos mandou um presente de casamento lindo, que tanto namorido quanto eu amamos e pelo qual já estamos lutando: eles está morrendo de vontade de estrear, e eu com peso na consciência  porque é delicado demais para ser usado além de na decoração, olha só!
 
Patty, nós amamos, muito obrigada!
Além disso, o meu amigo carteiro (ele já me trata até pelo nome, então é amigo!) trouxe algo que eu encomendei há um mês e já estava sem esperanças de receber: a lembrancinha do casamento! Parece que está em voga distribuir essas latinhas e eu achei a imagem super adequada ao tema!
Espero que tenham gostado, e que a semana de vocês seja maravilhosa!

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Elogio e loucura

Lembra que eu falei aqui sobre sinceridade demais? Ontem eu vi uma cena surreal que me fez pensar mais sobre o assunto: basicamente uma colega de trabalho falou para outra, com quem não tem a mínima intimidade, sobre como ela estava barriguda, o que estava acontecendo que ela tava engordando tanto. Isso em voz alta e na presença de vários outros colegas de trabalho. Tem dó, né?!Achei absolutamente inconveniente e falei na hora “ Isso é lá coisa que se diga?”. Não adiantou nada, mas pelo menos manifestei minha indignação de gordinha que não quer ser reparada e muito menos advertida sobre o fato.

Esse episódio me fez querer escrever sobre uma coisa que aconteceu há algumas semanas e eu ainda estava digerindo: um elogio bem intencionado que foi mal aceito. Eu, como gordinha, sempre reparo quando alguém emagrece, e como sei que as mulheres geralmente gostam que notem que elas emagreceram (pelo menos a de meu convívio) comentei com uma colega de trabalho com quem converso às vezes:

-Nossa, como você emagreceu! - E abri aquele sorrisão.
A pessoa ficou olhando pra mim por uns 30 segundos sem falar nada, com uma cara meio esquisita, meio feia. Aí emendei:

-Isso é um elogio!

Ai ela deu um sorriso e falou:

-Ah, se é um elogio... obrigada.

Basicamente, a pessoas estava cheia de problemas pessoais que eu desconhecia na ocasião e que não vêm ao caso, e por isso estava emagrecendo. Ela via a magreza como um reflexo de todas as coisas ruins que estavam acontecendo e por isso, não via como bom estar magra.

Tudo isso para contar para vocês que eu aprendi uma lição valiosa: até para elogiar é preciso conhecer bem a pessoa. Eu nunca tive o hábito de fazer falsos elogios ou “puxar saco”, mas depois desse “causo” fiquei muito mais ponderada antes de abrir minha boca, e pode parecer óbvio para vocês, mas interiorizei a ideia de que nem sempre o que é bom ou bonito para mim, o seja também para o outro.
P.s: Faltam 23 dias para o casamento, ainda não tenho centro de mesa, alguém tem alguma ideia abençoada? Minha ideia era colocar as toalhas de mesa em vermelho e uma claquete preta e branca como enfeite. Porém, o buffet não tinha toalhas como eu imaginei, as que eles tinham pareciam roupa do papai noel, vermelha de cetim sabe? Então acabei optando por usar preta, o que acabou com a ideia do centro...SOCORRO!

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Família


Eles são loucos, barulhentos e gostam de se intrometer na nossa vida, mas não tem ninguém que te queira tão bem ou esteja sempre disponível quando você precisa. Palavrinha de sete letras e que encerra significados mil. Eu amo a minha, acima de tudo. Tenho uma família enorme: minha mãe teve cinco filhos, e minha avó, sete. Consequentemente tenho dezenas de primos e tios, das mais variadas personalidades, idades e manias. Creio que os familiares são nossos primeiros amigos, e se conseguimos continuar juntos, serão sempre os mais próximos: nós sempre conhecemos os defeitos e qualidades e sabemos o que esperar, assim só nos decepcionamos se quisermos. Uma das memórias que me traduzem o amor e cuidado da minha família é a que tenho da minha colação de grau: eu fiquei emocionadíssima de ver todos os meus queridos viajarem 400 kms e estarem lá, me ovacionando e me fazendo sentir tão protegida do mundo. Porque proteção conta muito: não só nas horas boas eu conto com a minha família, mas quando preciso chorar também – como há umas semanas estavam todos em casa tomando cerveja e vendo jogo, toca o telefone falando que minha mãe havia se machucado, e nós todos acabamos a tarde assistindo o jogo na sala de espera da Unimed e comentando das correrias passadas para outros hospitais. Meu casamento, eu creio, é uma das maiores provas de como minha família “viaja nas minhas viagens”: eu inventei o tema e, apesar das piadinhas constantes sobre Adão e Eva, tá todo mundo empolgadíssimo, escolhendo fantasia e se divertindo. Falando em casamento e em família, trouxe hoje o cardápio do casamento para vocês verem, fiquei muito feliz com a arte, feita de novo pela minha irmã-heroína-e fada madrinha Nany! Palpitem aí nos comes, gente!


domingo, 9 de outubro de 2011

Apátrida - Ana Paula Bergamasco

Bom dia meninas! Peço desculpas por mais esse sumiço, mas entre os preparativos para o casamento e um evento grande que estamos organizando no trabalho eu simplesmente não tive tempo de parar e postar (embora tenha passados nos blog amigos e lido, não pude comentar). Eu sei que fiquei devendo um post sobre o Rock in Rio e prometo que vou tentar fazê-lo em breve, mas hoje vim falar de outra de outra coisa: sobre o livro que a Patty me emprestou e eu simplesmente amei. Sou meio fascinada pela Segunda Guerra Mundial, não consigo explicar exatamente porque, mas penso que pode ser pelo absurdo ao que o ser humano chegou e por isso gosto muito de ler livros que são como diários ou relatos de guerra, e nos permitem conhecer a perspectiva de quem esteve lá e tenta explicar ou pelo menos entender como  o ser humano conseguiu chegar a um ponto tão animalesco. Ideologia, condicionamento, ódio, vingança, falsas crenças na superioridade, são valores que eu não consigo apreender, e talvez seja anacrônico tentar.

Sobre o livro especialmente, apesar de ser um romance, creio que conseguiu captar a essência de uma parcela da população que geralmente não é muito divulgada: são comuns os livros sobre os sofrimentos judeus, mas só agora começam a se popularizar os que tratam da vida de pessoas que mesmo não o sendo  sofrendo agruras, foram para os campos de concentração e perderam tudo. A história é muito bem articulada, uma saga familiar empolgante, que eu li em menos de 24 horas. Se, por um lado, o português às vezes deixa um pouco a desejar, o destino de Irena, seus filhos, irmãos e amores é por demais emocionante, confesso que chorei algumas vezes durante a leitura.Enfim, realmente gostei e recomendo a leitura a todo mundo que se interessa pelo tema. Seguem duas frases para vocês sentirem o gostinho:

"Naquele momento tive certeza que o amava. Não saberia traduzir com palavras o que sentia. Era diferente do meu amor por Jacob, ou daquilo que sentia por meus irmãos e parentes. Era um amor suave e tranquilo, daqueles que podem durar uma vida inteira.(p.57)"

"As crianças brincaram até tarde aquela noite e dormiram abraçadas.Por que não podíamos ser como elas, sem preconceitos, rancores e ódios?Por que não deixamos os outros viverem com suas diferenças? Deus não nos deu o livre arbítrio? Se alguma coisa vai contra os nossos princípios, deixamos que as pessoas decidam o que é bom para elas e pronto! A cada um será dado de acorodo com a sua porção de sabedoria.(p.121)"

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

O primeiro presente

Oi meninas, hoje eu vim mostrar para vocês o primeiro presente que namorido e eu ganhamos de casamento. Vou confessar que eu fiquei baqueada, achei super delicado e bonito. Como nós já temos a casa montada, nós sugerimos aos mais íntimos que nos dessem dinheiro, se sentissem à vontade, mas não imaginei que eu fosse me sentir tão emocionada em ganhar um presente, que demostra que a pessoa pensou, escolheu,enfim, se preocupou. Amei!

Até a caixa é bonita!
Mais duas canecas pra minha coleção. Vem exatamente duas peças, namorido e eu adoramos!
Foto de pertinho pra vocês verem o detalhe das nossas iniciais.
Não é uma delicadeza?

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Rock in rio, sem perguntas.


 Há muito tempo fãs e críticos em geral sabem que a expressão “Rock in rio” não traduz exatamente a essência do evento: mais do que uma descrição do que acontece, ela é uma marca. O rock in rio engloba uma diversidade tal, e diriam alguns uma enorme gana comercial, que transmite elasticidade a ponto de acontecer na Europa, como em Lisboa, por exemplo. Dito isso, vou me arriscar a fazer uma “defesa” da Cláudia Leitte, mesmo que essa me valha algumas pedradas da galera mais radical. Pode ser que a “musa” do axé tenha errado ao comparar os jovens intolerantes a Hitler, porém o que fica é a ideia por traz: a da intolerância. Na verdade, a questão é bem simples: não gosta do show, não vá. O mercado do rock n roll e depois do metal sempre gostou de se considerar, seja pelo visual, pela ideologia ou mesmo por gosto próprio, à margem da sociedade. Oras, em um evento do porte do Rock in Rio, o que há de se esperar? Comércio, capitalismo, dim dim, bufunfa, e o que dá dinheiro? A Cláudia Leitte, meus caros, que mesmo massacrando clássicos como Led Zeppelin (essa sim uma banda digna do evento, diriam alguns) arrancou palmas da plateia e sacudiu milhares de pessoas.
Uma parte do discurso da baiana que realmente me chamou a atenção, e que provavelmente foi a que mais zangou os fãs adolescentes e exaltados de cantoras como a Katy Perry e Rihanna, e se estendeu para fanáticos por Britney Spears, por exemplo, diz o seguinte:
“Artistas internacionais vêm pra cá, mostram a bunda, atrasam-se por 2 horas pq estão dando uma festinha no camarim, não conseguem conciliar a respiração com o canto, não preparam espetáculos para o nosso povo, desafinam, enfim, pouco se importam conosco, querem beijar na boca, ir à praia e tomar nossa cachaça, e nós, que pagamos caro para assistir aos seus “espetáculos” em nossa terra, aplaudimos a tudo isso. Ah! É Rock! É Pop! É bom!”
Eu concordo plenamente com todas as palavras acima: se vocês derem uma olhada nos portais, ou mesmo no Ego, vão perceber eu Rihanna, por exemplo, foi mais noticiada por seus passeios, festas e descanso do que pelo show em si. E Katy Perry, convenhamos, mesmo esbanjando simpatia e animação, cantou sofrivelmente sem o playback, errando e desafinando seguidamente. Ora, eu não gosto de axé, mas ninguém pode negar a energia da Cláudia Leitte, e que ela consegue cantar e dançar ao mesmo tempo, ao contrário das queridas estrangeiras. Semana que vem tem show da Ke$ha, eu aposto com qualquer um que veremos mais abuso da imagem sexual do que música em si.
Ninguém é obrigado a concordar com as outras pessoas, mas respeitar é fundamental. No meu Rock in Rio, nunca a Cláudia Leitte tocaria no palco principal enquanto a ex-nightwish Tarja tocou de dia e como convidada. Porém, muita gente pagou sim, para ver a “Claudinha” e eu vi até reportagem com gente que foi ao evento só para assistir ao, pasmem, Nx Zero. O que é válida no Rock in Rio 2011 é a lição de coexistência: a regra fundamental continua sendo cada um no seu cada um, cada qual com seu cada qual.

Para quem não entendeu a polêmica, clique aqui.
P.s: Domingo que vem, dia 02 de outubro, eu estarei no Rock in rio, e depois conto tudo para vocês!

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

A arte de perder


Capa do livro  "A arte de perder", biografia de Elizabeth Bishop por Michael Sledge.
Eu descobri faz umas semanas esse poema da Elizabeth Bishop e estou absolutamente encantada. Para quem, como eu, não conhece a vida da autora, é um prazer dizer que ela morou no Brasil por 16 anos, sendo inclusive agraciada com um Ordem do Rio Branco. A vida de Elizabeth, na verdade, foi sempre sobre a arte de perder: perdeu pai, que se suicidou quando ela tinha 4 anos, perdeu a mãe, internada em hospício para a vida toda 8 anos depois, e perdeu Lota, a namorada brasileira que se suicidou anos depois...
Eu poderia explicar em mil linhas, como é perder as coisas, coisas que nos parecem importantes, coisas raras e também coisas banalíssimas, mas nunca conseguiria traduzir da mesma forma que esse poema:

A arte de perder não é nenhum mistério;
Tantas coisas contêm em si o acidente
De perdê-las, que perder não é nada sério.
Perca um pouquinho a cada dia. Aceite, austero,
A chave perdida, a hora gasta bestamente.
A arte de perder não é nenhum mistério.
Depois perca mais rápido, com mais critério:
Lugares, nomes, a escala subseqüente
Da viagem não feita. Nada disso é sério.
Perdi o relógio de mamãe. Ah! E nem quero
Lembrar a perda de três casas excelentes.
A arte de perder não é nenhum mistério.
Perdi duas cidades lindas. E um império
Que era meu, dois rios, e mais um continente.
Tenho saudade deles. Mas não é nada sério.
– Mesmo perder você (a voz, o riso etéreo que eu amo) não muda nada. Pois é evidente
que a arte de perder não chega a ser mistério por muito que pareça (Escreve!) muito sério."

O fato é que seja perder um amigo ou o guarda-chuva velho, e por mais banal que isso seja – nós vivemos nos perdendo e desencontrando, conseguimos algumas vezes, inclusive, perder a nós mesmos, nunca deixa de ser sério, não é?

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Músicas inesquecíveis do cinema

Hoje eu vim falar sobre música, mas não sobre qualquer música: trilha sonora. Quando você pensa em músicas de filme, qual a primeira vem a sua cabeça? Eu no momento não consigo mais responder essa pergunta, pois estou fazendo um levantamento para as músicas do casamento, então não vale. Mas gostaria de ouvir de vocês, qual música não pode faltar? Como eu resolvi usar o cinema de tema, estou tentando adequar até os mínimos detalhes.
Eu trouxe o que eu estou pensando, mas sugestões serão muito bem-vindas. Eu pensei assim ó:
Música: Imperial March -John Williams (Star Wars) - Entrada dos padrinhos e do pais
Música: Tema do Exterminador do Futuro Entrada do noivo.
Música: As time Goes by – Louis Armstrong (Casablanca) - Entrada da Noiva
(Casamento civil)
Música: Only Time – Enya ( Doce Novembro) - Momento de oração
Música: Tara Theme - Max Steiner (E o vento Levou...) - Entrada da madrinha de alianças
Música: Over the Rainbow - israel iz kamakawiwoʻole - Troca de alianças e saída

E aí, alguma ideia? Pensou em alguma música que não pode faltar? Fique a vontade para palpitar e me ajudar!

domingo, 11 de setembro de 2011

Presentinho

 
Até a embalagem veio personalizada, achei linda!
Oi meninas, desculpem ter sumido mas quem acha que funcionário público não trabalha nunca teve uma semana como a minha: não tive nem tempo de pensar, que dirá de escrever! Vim aqui rapidinho só pra mostrar a delicadeza que me chegou pelo correio hoje. Minha amiga Erika, com quem morei junto três anos na faculdade foi que me mandou, pela casa nova. Eu amei, e espero que vocês também gostem!
Dentro das canecas vieram balinhas, namorido e eu detonamos na hora!
Prometo que ainda hoje passo no blog de todo mundo, principalmente porque depois de muito rezar finalmente a chuva chegou aqui ao sul de Minas! O ar já estava ficando "irrespirável".
Não são lindas? A alça de coração também são um charme!





Depois mostro as outras para vocês, mas estou pensando seriamente em começar  uma coleção de canecas. Um abraço e boa semana para todo mundo que passar por aqui!

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Diminuindo

 Boa tarde! Eu não faço parte de nenhuma blogagem de dieta coletiva, porém gosto de dividir com vocês minhas conquistas com relação à saúde e perda de peso: parece que assim me sinto mais estimulada - infelizmente sou daquelas que precisa ser vigiada rsrs Hoje, depois de dois meses, um dos quais eu não fiz dieta nenhuma por pura preguiça e gula, voltei na minha nutróloga, e fiquei surpresa por ter perdido mais umas medidas: perdi 2,2 kgs e mais 4 cm! Ela disse que é um resultado bastante bom, provavelmente devido às minhas caminhadas: não contei para vocês mas ando caminhando 40 minutos por dia, e tem feito super bem, principalmente para a minha coluna. 
Como nem tudo são flores, eu expliquei para ela que estou ansiosíssima com o casamento e não consigo parar de comer doces. Além disso, como ela cortou o café, fiquei sem o meu apoio de todas as horas. Assim, ela mudou o meu cardápio de forma que agora posso comer um bombom todo dia depois do almoço (yeah!). Ela também me passou um remédio para controlar a ansiedade, mas que eu só vou tomar até o casamento, depois se tudo der certo já vou voltar ao ritmo lento de sempre rsrs Ela receitou um medicamento chamado "sertralina" que segundo ela disse também ajuda no controle da TPM (namorido agradece!). Alguém ai já tomou? Sabe se faz efeito? Eu tenho meio  que o pé atrás com remédio para emagrecer, portanto, vou fazer uma experiência e qualquer coisa caio fora: tenho medo de viciar, ou de engordar mais ainda depois. Vou montar um esqueminha para a gente acompanhar minha dieta, vamos lá?

Dieta: Reeducação alimentar - 1.500 kcal
Exercício: 30 minutos 5x por semana
Peso inicial: vergonhosos 83,8 kgs
Medida abdominal inicial: 104,2 cms

Peso em 07/06: 80,8kgs
Medida abdominal em 07/06: 100 cms

Peso em 31/08: 78,4 kgs
Medida abdominal em 31/08: 96 cms

Metas: 69 kgs e 88 cms

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Super sincero


Houve um tempo em que eu achava que dizer sempre a verdade era uma qualidade. Eu dizia o que pensava, doesse a quem doesse. Se me perguntassem o que eu achava de um vestido, ou se a comida estava boa, soltava logo: “Essa estampa é meio exagerada” ou “Faltou sal, mas dá pra comer”. Achava que ser sincero era sempre dizer o que estava sentindo, mesmo que não fosse fazer bem a ninguém – nem a mim mesma.

Com o tempo, e eu acredito, a maturidade, passei a acreditar que sinceridade demais pode ser falta de educação e egoísmo: às vezes, não custa nada dizer que um vestido que você acha horroroso é bonito, pois ele é lindo, para o outro. Mentiras sociais, como dizem, mais do que praticamente o único jeito de viver em sociedade, são uma forma de compaixão. Ninguém é tão evoluído que possa dizer com certeza que só a sua verdade vale, e aceitar o outro, com suas limitações e gostos diferentes, é uma prova de amor diária.

Aprendi, vivendo, que eu não estou me traindo ou corrompendo quando elogio seu modo de se vestir tão espalhafatoso e tão seu, pelo contrário, eu estou me realimentando de coisas boas, abrindo novas perspectivas e deixando que o mundo me mostre possibilidades.

Mentir por amabilidade, na maior parte das vezes , é o caminho seguro para fazer alguém feliz, e se poupar de aborrecimentos e mau-humores desnecessários.

E quem nunca mentiu para o outro tentando fazê-lo mais feliz, que atire a primeira pedra.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Cinema Nacional


Fiquei muito feliz com a recepção ao meu convite de casamento, podem ter certeza que à medida que eu for resolvendo os detalhes, vou mostrando para vocês. Aliás, to quebrando a cabeça atrás de uma lembrancinha adequada: minha primeira ideia era dar um oscar de chocolate para os meus convidados, porém, não cabe no meu orçamento limitado, então se alguém tiver qualquer outro palpite, grite bem alto.
O assunto hoje, entretanto, não é o casamento: nesse post aqui, eu falei que sou preconceituosa com o cinema nacional Depois, parei pra pensar que na verdade existem alguns filmes dos quais eu gosto, e que recomendaria para vocês, todos produções nacionais e muito bem-feitas. Se alguém tiver sugestões de filmes na mesma linha, por favor, não hesite em deixar nos comentários.

1- Cidade de Deus
Eu tive que assistir no terceiro colegial, com direito a relatório valendo nota. Porém, me encantei com a história, a fotografia e a a trilha sonora: até hoje me pego à vezes cantando “No Caminho Do Bem” do Tim Maia. Fora isso, o filme é um ótimo ponto de partida para nos fazer pensar sobre o ser humano: o que o influencia, o que nos faz bons ou maus, quando e como fazemos nossas escolhas e aonde elas não levam. Passei meses discutindo se o homem era produto ou agente do meio. 

2- Cama de gato 
Esse é denso e chocante, mas nunca cansativo. O ritmo do filme é alucinante e se colocar no lugar dos personagens, uma experiência de avaliação do próprio caráter. Em alguns momentos, a violência aparentemente sem sentido, começa a dar lugar a inquietantes perguntas sobre o que faríamos se estivéssemos no lugar deles. Tudo bem que, quero crer, ninguém iniciaria um problema daquelas proporções, mas tendo começado, como reagiria? O filme faz a gente pensar sobre os limites da diversão para os jovens de hoje em dia, e a atuação do Caio Blat, para mim, foi incrível, pois eu estava acostumada a vê-lo como o bom moço, com carinha de anjo.

3- Ilha das Flores

Ilha das flores é um documentário curta-metragem que a maioria das pessoas conhece: ele acompanha a vida de um tomate, desde sua plantação ao seu descarte no lixão de ilha das flores. Eu adoro o humor ácido e o tom de deboche para conosco, seres humanos, definidos como “animais mamíferos, bípedes, que se distinguem dos outros mamíferos, como a baleia, ou bípedes, como a galinha principalmente por duas características: o telencéfalo altamente desenvolvido e o polegar opositor”. Eu já usei para trabalhar com crianças e adolescentes, e é sempre interessante notar as reações ao longo dos pouco minutos – das risadas iniciais ao choque no final. A forma científica como as coisas são definidas chama a atenção e instruem ao mesmo tempo que divertem.