domingo, 10 de fevereiro de 2013

Fora da caridade não há salvação

Todo preconceito é inaceitável. Mas será que alguns são ainda mais inaceitáveis que outros?  Hoje vou me atrevo a falar de coisas as quais não entendo muito bem, então já me desculpo por antecedência caso fale alguma bobeira muito grande, mas a verdade é que esse assunto tem rondado a minha cabeça por muito tempo. 
Como se definem os preconceitos de uma pessoa? Quer dizer, é sentimento de pertence a um determinado grupo? É limitação de classe? Criação familiar? Enfim... o que nos faz deprezar e até odiar uma raça, um grupo, um estilo de vida, que não compreendemos e do qual instintivamente discordamos? 
Ando determinada a entender como funciona esse mecanismo de auto-imagem e sentimento de pertence que exclui características do outro com as quais não me identifico, imediatamente as rotulando como inferior ou ruins. Dito isso, já aconteceu com vocês de conhecer alguém que simplesmente não tem espelho? Quer dizer, uma pessoa que critica um grupo ou uma raça, por exemplo, mas que não percebe que ao ofender o outro está se ofendendo? Um dia desses vi uma pessoa que é, para ser clara, mulata, falando mal de negros e fazendo piadinhas racistas. 
Para começar, piada geralmente me deixam de mal humor: não acho que exista tema neutro e não acho graça rir de esteriótipos de nenhum tipo. Mas me indignou ver que a pessoa, descendente de negros, consegue rir vendo tratarem seus antepassados como indolentes, ignorantes ou inferiores. Agora, quantas vezes não vemos isso? Uma pessoa acima do peso rindo de piadas de "gordo"? Mulheres dançando ao som de musicas machistas, e rindo de outras mulheres que passam por situação humilhantes? Ou em casos um pouco diferentes, pessoas cheias de outros defeitos apontando o dos outros, para se sentir melhor sobre os seus? Como se só o do outro é que fosse feio...
Percebo que, cada vez mais, falta compaixão para com o próximo e alteridade. É preciso se colocar no lugar do outro, percebê-lo como ser humano que merece senão amado, ser respeitado em sua individualidade, com todas as suas características peculiares, independente do que pensamos das escolhas que elas fazem. Antes de apontar defeitos alheios, faça uma lista com os seus e tente entender o porque do outro te incomodar tanto porque ser gay, negro, mulher, pobre, gaúcho, corinthiano ou ateu. Particularmente, eu enxergo a caridade como uma religião.

2 comentários:

Patricia Helena disse...

Odeio preconceitos e piadinhas. Não gosto de nenhum time de futebol, pois com a torcida, vem preconceito. Entendo que uma ofensa a outra pessoa é uma ofensa a si próprio - a pessoa perde o respeito. Se está legitimada para ofender, está apta a ser ofendida. Para mim não é caridade, é civilidade, educação, respeito. E o que eu sempre digo: "o que eu tenho que ver com a vida dos outros?". Vá se olhar no espelho primeiro, por favor!
Bjs.
P.s. vou te emprestar "A Elegância do Ouriço".

Adelaide Araçai disse...

Aqui brincamos com tudo mas não aceito preconceito e sempre dou sermão em familiares próximos que o façam na minha presença. Tenho uma teoria:
- Um igual reconhece outro igual.
Por isso só te incomoda se alguém é gay se vocÊ tem tendência e tenta esconder.
Nenhuma raça é inferior, porém algumas culturas tem maiores dificuldades em aceitar as outras - acho que é a criação (o que não é desculpa)
Como sempre participei das minorias, dei muita dor de cabeça para minha mãe, então eduquei minha filha de forma a ela saber que não existe ninguém Hétero - existe alguém que não se apaixonou por alguém do mesmo sexo. Não existe ninguém sóbrio - existe aquele que ainda não passou por uma dor tamanha que o levou ao desespero do vício.Não existe pessoa de cor, existe sim pessoas de carne, osso e alma.

Muita luz e paz
Abraços