terça-feira, 3 de julho de 2012

Palavras ao vento...


Hoje só queria gritar verdades a plenos pulmões. São muitas as certezas que se movem silenciosamente sob minha pele, e aos poucos elas escapam pelos poros, tornando quando impossível meu contar. São palavras que, se ditas, mudariam toda uma realidade: a minha.
A primeira delas me tornaria oficialmente estagnada: eu não quero fazer mestrado. Só de pensar na possibilidade de escrever um projeto ou passar por outra entrevista me sinto suar. Eu sei que ganharia mais dinheiro, que tenho toda capacidade intelectual, que seria um desperdício de potencial e todo o blá blá blá. Mas eu só tenho me arrastado para fora da cama para passar por mais um dia, e não consigo nem pensar em me penalizar com mais uma obrigação.
A segunda verdade me transformaria em um ET e faria com que as outras pessoas me vissem como uma alienada: eu simplesmente, tirando uma viagem sabática para o Peru, não tenho vontade de conhecer o mundo. Eu gosto de viajar pela literatura, e nas aventuras dos outros, mas quando penso em viajar por mim mesma, vem toda a dificuldade, a mala, a saudade da minha cama, a obrigação de querer sair e ver coisas. Não, obrigada.
A terceira seria uma bomba nas minhas tentativas recentes de me adequar: eu simplesmente não me interesso a mínima em estar magra. Tenho muito mais prazer comendo uma coisa gostosa do que comprando roupas um número menor, e desde que eu estou saudável, não consigo me obrigar a me encaixar em um padrão normal, só isso.
Uma outra verdade interessante: eu sei que a maioria das pessoas acha meu marido chato. Tenho consciência de que ele tem uma personalidade não muito expansiva e é cheio de vontades, mas ele é a pessoa que eu escolhi para passar minha vida e, se for sincera comigo mesmo, preciso admitir que eu já sabia tudo isso antes do casamento. É que eu prefiro ele assim, e me amando como eu sou, e ficando em casa quando eu quero do que ter me casado com o Sr. Perfeito e ter que ser a Sra. Perfeita. Ele pode não ser expansivo, nem a alma da festa: mas respeita quem eu sou, não repara nas minhas roupas a não ser para elogiar, não exige que eu seja magra e muito menos faz questão que eu vá ao salão de cabeleireiro. A diferença essencial na minha opinião é que eu não sou uma esposa perfeita para exibir, sou a mulher que ele escolheu para ser a companheira e a quem ele essencialmente ama.
Mas vocês sabem, palavras são muito definitivas, então eu não vou afirmar nada disso com certeza, e vocês sempre podem fingir que não leram.

3 comentários:

Ana Cristina disse...

apoiado!! eu nao quero conhecer o mundo.....o mundo pra mim se resume a minha casa hoje em ribeirao e minha casa um dia desses em poços de caldas.... e hoje to com uma vontade danada de tomar um cafe com coisinhas na nosso pao da assis figueiredo!

Flor Baez disse...

Oi Mayara, vim aqui curiosa para ler teu texto.
É muito engraçado, porque realmente precisamos descobrir o que nos motiva, o que realmente nos proporciona alegria e bem aventurança. Eu sou louca para fazer mestrado, mas acho que não tenho capacidade intelectual para isso. Sou muito intuitiva com as coisas.

A ilustração combinou muito com o seu texto. É como se você abrisse uma parte de você para as outras pessoas.

Beijos! Flor

patty disse...

Eu gostei! Não quero fazer mestrado, já estudei demais na vida. CHEGA!
Bem, eu gosto de viajar nos livros e de verdade tb. Odeio fazer malas e sair de casa, mas gosto de estar lá naquele local, conhecendo coisas diferentes, entende?
Bem que eu estranhei o comentário sobre o muffin hj... agora entendi!
E quem é que tem que achar teu marido chato? Eu, hein? Se sou eu, já vou mandando tirar o olho!
bjs.